Um mundo para imaginar
segunda-feira, 27 de abril de 2015
PARTE IV – A BATALHA FINAL
De volta a Lay Ícaro e Sofia com Poseidum planejam o restante da missão, Poseidum diz que deverão ser transportados para o espaço onde precisarão entrar dentro de uma nave - mãe em forma de disco bem gigante que aparenta ser quase um planeta pelo seu tamanho, e lá deverão pegar uma pequena caixa feita de pedra que contém a chave que dá poder a esses seres sobre o planeta Terra, caso eles percam essa caixa eles perdem esse poder e tudo deles vai por água abaixo.
- Vamos nessa Sofia. Falou Ícaro.
- É isso aí parceiro. Respondeu Sofia.
Foi dado a dupla dinâmica uma mini nave espacial que seria controlada pelo pensamento de ambos, uma mini nave de guerra para combaterem os lagartos no espaço. Poseidum falou:
- Há milhares e milhares de anos atrás aconteceu uma guerra espacial entre esses seres e outros, numa guerra pelo planeta Terra e outras coisas mais, ninguém venceu, o líder comandante das forças da luz se chamava Ashtar Sheran, ele comandou milhares de naves e guerreiros para essa guerra do bem contra o mau, hoje esse comandante ajuda a humanidade em seu progresso espiritual, no sincretismo Ashtar Sheran é o mesmo arcanjo Miguel, o anjo guerreiro que elimina o dragão com sua espada.
Ícaro se intrometeu e falou:
- Eu acho que essa guerra é simbologia de uma guerra espiritual, acredito que não aconteceu nada físico não, bom no Ramayana retrata guerras espaciais na vida real, mas não sei se o sentido é mesmo esse, diz a lenda até que seres alienígenas se encantaram pelas mulheres bela da Índia e da Terra e se perderam por causa delas, esses seres eram chamados de deuses pelos humanos mas na verdade não eram não porque se perderam e caíram, a Teogonia é uma só em todas as culturas, só muda o nome e o formato, mas em essência Cristianismo, Hinduísmo, Esoterismo, Budismo, Islamismo etc todos falam a mesma coisa.
Sofia falou:
- É lá na Área 51 vi uns desses lagartos falando que eles tem moradas intra - terrenas na África do Sul parece e outros lugares mais.
Poseidum falou:
Existem muitos mundos, só na terra por exemplo existem milhares, no astral existem centenas e centenas de colônias baixas e elevadas paralelas em outra dimensão ao mundo físico de vocês, existem mundos aquáticos só de seres da água em outras dimensões, no mar, em montanhas, serras, cachoeiras, florestas etc. a Terra é oca, abaixo do solo que se conhece habita seres na 4º dimensão, a mais famosa civilização é Agharta, Shamballa, existem outros mundos intra – terrenos também como Minar Jard (Shamballa), Lis Fátima etc, existem seres no espaço que se parecem pássaros, árvores, répteis, insetos, anfíbios, felinos mas que são bípedes outros não, existem milhares de seres e espíritos nesse universo, mas todos ignorantes ou bons são filhos do pai maior e todos sem exceção de nenhum terminará em sua casa, tudo no final terminará bem para todos e tudo, todo erro se concertará e tudo o que é ignorância se restaurará um dia, mesmo que seja muito tarde, como disse Cristo – Eu não perderei nenhuma das minhas ovelhas, então esses seres lagartos um dia também serão bons, sem contar que a uma divisão de planetas nessa raça, porque muito deles já são bons e a minoria pensa diferente.
Poseidum continuou:
- Há esqueci de dizer também, acho que essa luta de vocês para chegar até essa nave mãe não vai ser nessa galáxia não.
- Por quê? Perguntou Sofia.
- Bom eu também não sei muito bem disso, mas diz a lenda que certos guardiões da Via Láctea e outras galáxias tiveram bastante prejuízo em reconstruir estrelas, constelações, planetas por causa das destruições das guerras espaciais, eita mas teve guardião que reclamou quando viu que a destruição foi tanta e que ele teve que concertar, dá trabalho criar planetas e estrelas. Bom eu não sei mas ouvi até histórias de que algumas raças mais fortes e desenvolvidas escravizavam outras mais fracas, dominavam planetas, nas escrituras Hindus tem muitas lendas sobre essas coisas, eu já vi até algumas imagens do chicote comendo nas costas de seres que urravam de dor e nada podiam fazer para sair da escravidão, mas Deus sempre escreveu certo por linhas que nós entortamos, todos sempre no final foram resgatados e regenerados de qualquer trauma ou ignorância.
Ícaro perguntou:
- Já percebi que nem mesmo falar a palavra mau e outras mais vocês não falam né, por que?
- Isso não existe, o que existe é a pobreza espiritual, a ignorância, a ausência de luz.
Quando Ícaro e Sofia estavam saindo, Poseidum chamou Ícaro e falou:
- Você ainda tem agressão dentro de si Ícaro, é um bom artista marcial e lutador mas tem que entender que uma pessoa pode agredir e não ser agressiva; e outra pode não agredir e ser agressiva, pois a agressão na verdade é uma intenção ou tendência do ser interno da pessoa e não um ato cometido conforme a necessidade da situação, então retire toda agressão que existe no seu ser, apenas amor e bondade podem definir a verdadeira vitória.
- Entendo, é eu entendo, é, é, é isso aí, valeu Poseidum.
Passando por um portal mágico Ícaro e Sofia entram na nave e ao atravessarem o portal se encontram no espaço entre outras naves de diversas formas numa guerra de tiros de laser ou coisa assim. Sofia falou:
- Segura que o negócio aqui não tá mole não.
Como a mini nave era controlada pelos pensamentos dos dois, Sofia pensava algo e Ícaro outra coisa o que atrapalhava o movimento da nave, no começo Ícaro pensou em levar a nave para frente e Sofia para trás recuando, a nave não foi nem pra frente nem pra trás e fez um barulho, Plunct depois ambos mudaram seus pensamentos e saiu outro barulho Plact aí os dois entraram num acordo de comando e quando a nave partiu fez Zuuummm, e Sofia falou:
- Desse jeito essa nave não vai a lugar nenhum.
Entraram no meio da batalha espacial em busca da nave mãe dos lagartos, se esquivavam de certos tiros e se atrapalhavam ao atirar, até que viram um ser lagarto verde fêmea idosa com um chapéu pontudo na cabeça voando no espaço em cima de uma vassoura, essa criatura começou a perseguir a mini nave da dupla dinâmica, e passou a desferir tiros de raios que saiam de suas mãos na nave e gritava gargalhando:
- Rá Rá tolos sei quem são vocês não vão conseguir vou destruí – lós. E voava na vassoura fazendo zigue zague, os raios desse lagarto fêmea atingia a mini nave deixando a duplinha desestabilizados, até que Ícaro falou:
- Eu vou utilizar os poderes do Cristal de Arco – íris, sair um pouco da nave e dar um jeito nessa lagarta verde de pé – de – mamão.
Assim fez, com os poderes criou em si um par de asas por fora do seu uniforme de ninja azul com a espada nas costas, voo para fora da mini nave atrás do lagarto fêmea que voava na vassoura, outros seres lagartos verdes apareceram também com lanças, espadas e escudos para combater Ícaro.
Sofia estava um pouco apavorada na mini - nave sozinha, reclamando:
- Que é isso? Será se esse povo não dá pra gente nem uma nave que preste para uma missão tão importante?
Mas continuava atirando e se desviando de outros tiros.
Ícaro por outro lado travava uma árdua batalha contra os lagartos verdes com sua Katana Excalibur contra lanças e escudos, sempre no seu estilo de Karateca e Kendoca ele lutava como um exímio artista marcial, mas estava apanhando demais por ser muito complicado enfrentar vários seres mais fortes que tinham e utilizavam poderes bem superiores ao dele.
Nessa batalha vários seres do bem lutavam contra o mau, e alguns ajudavam Ícaro e Sofia já que sabiam que a missão deles era salvar o precioso planeta azul, o planeta Terra ou Planeta de Urântia, um determinado ser aproximou sua nave da mini nave de Sofia e lhe falou:
- Seu parceiro Ícaro, volte e vá ajuda – ló, tão pra acabar com ele de porrada ali olha. E apontou para ele.
Aumentando a velocidade da nave Sofia corre para salvar Ícaro, chegando bem próximo encontra seu parceiro numa má situação de combate, levando porretada na orelha, quase sem defesa contra muitos adversários. E mais longe dali um pouco a lagarto fêmea voava na vassoura sorrindo e gargalhando, Sofia ajeitou a mira e ajudou Ícaro contra os diversos lagartos, atingindo – os facilitando melhor a luta para seu parceiro que logo se viu em uma melhor situação começando a ganhar vantagem contra os adversários, Ícaro se enfureceu um pouco mais, se inspirou e atacou bravamente os lagartos verdes malignos, Sofia foi atrás do lagarto fêmea que voava na vassoura, gargalhando o lagarto fêmea zombava de Sofia olhando para trás para se esquivar dos tiros da mesma, quando de repente um meteoro que surgiu do nada pegou em cheio o lagarto fêmea levando – a para bem distante.
- Toma sua bruxa. Falou Sofia.
Ícaro retorna para dentro da mini – nave, logo os dois batem de frente com a nave mãe dos lagartos verdes.
- Vamos entrar. Falam os dois simultaneamente.
Entram na nave gigantesca que parece um planeta de tão grande, lá dentro há ferramentas estranhas, laboratórios, sistemas mecânicos esquisitos até civilização encontraram lá, seguindo em frente ambos aterrissaram a mini nave em um local seguro, entram em uma sala laboratorial, alguns lagartos surgem para deter – lós, Ícaro toma a frente com a sua espada e luta bravamente no seu estilo marcial contra as horrendas criaturas, Sofia utiliza de seus poderes mágicos para enfrenta – lás e dar uma mãozinha a Ícaro também, depois de duros duelos ambos chegam a uma cabine onde está um ser lagarto de 3 metros de altura com armadura e espada de cavaleiro segurando em sua mão a caixa encantada de pedra, ele fala:
- Parabéns crianças, nada mal. E bate palmas sorrindo e zombando.
Aí continua falando:
- Estou levando essa caixa para onde ela deve ir, assim escravizarei tranquilamente os humanos e seu planeta sem a interferência de nenhum dos deuses superiores.
- Você é quem pensa, os humanos um dia se restaurarão e serão bonzinhos não dando chance ao mau, e mesmo que você consiga mas a verdadeira chave está no amor e no bem para que todos possam se libertar de qualquer mal, o mau só gera mais mau, quando alguém faz mal ao outro que acaba se zangando e querendo a vingança, o ódio e a vingança envenenam a alma de quem foi a vítima tornando os dois errados, e a vítima achando que está com a razão fere seu semelhante servindo na verdade as forças do mau e não do bem que só doa perdão, amor e compreensão, esse é o laço do diabo que coloca alguém pra errar e aí muitos julgam e maltratam o errado servindo o mau igual ao errante, e assim sem conhecer o perdão e por falta de amor todos se perdem e dão mais chances a todos vocês das trevas. Falou Ícaro.
O lagartão sorriu e falou:
- Nossa e você tem fé que os humanos um dia possam ser luz?
- Tenho certeza que sim. Respondeu Ícaro.
Falou o Lagartão:
- Realmente esta caixa tem o poder de escravizar os humanos e o planeta que eles dizem e acham que é deles, mas se conhecessem o bem e o amor nem a caixa tinha esse poder, mas como eu tenho certeza de que nunca vão entender a luz, by by a todos idiotas e tolos. E continuou:
- Puxa existem humanos perversos e maldosos da pior natureza, você acha que isso um dia pode se transformar e mudar?
Respondeu Ícaro:
- Tenho certeza que sim, pois não importa quão perverso e errado seja, mas todos até mesmo você tem de forma latente o germe do amor universal, mesmo que seja de forma tão latente que nem parece que existe no interior da pessoa, mas mesmo assim existe e se o ser desabrocha isso do seu ser interno ele pode se libertar de qualquer mal ou problema salvando sua alma e servindo de auxílio aos seus semelhantes, o processo da reencarnação é uma ordem perfeita que o divino utiliza para salvar a todos até as piores almas, por isso eu tenho fé que todos um dia vão se voltar para a luz até mesmo você.
- Deus é uma mentira criada por seres maiores para manipular e enganar as raças menores. Disse o Lagartão.
- Não é verdade, tudo o que é contra a lei da evolução espiritual, a mentira, o erro mais cedo ou mais tarde sempre cai e não triunfa, isso é sempre provado. Respondeu Ícaro.
- Venha.
Chamou o lagartão, deixando de lado a caixa e indo para o meio da sala com sua espada desafiando Ícaro e Sofia para um duelo.
Ícaro utiliza suas altas habilidades marciais, Sofia utiliza seus poderes, mas o lagartão é incrivelmente mais rápido e tem mais poderes do que os dois juntos, Sofia se fere pouco pois Ícaro a defende muito no duelo recebendo os golpes no seu lugar, Ícaro se fere muito mas não desiste nunca, todos em outros mundos assistem o grande duelo por um globo visualizador, inclusive Poseidum e as crianças, todos torcem e mandam boas energias para Ícaro e Sofia que mesmo dando o melhor de si não conseguem ter sucesso no duelo, Sofia se machuca mais um pouco até que Ícaro fala:
- Sofia saia, você é só uma garotinha tem poderes e já fez muito não quero que morra deixe esse combate para mim, eu prometo que não vou decepcionar, eu vou vencer pode deixar.
Sofia responde:
- Jamais Ícaro, eu estou com você e vou até o fim.
- Sofia deixa que eu cuido dele, vá atrás da caixa e a leve para Lay a solução para a humanidade estar lá, vá por favor.
Sofia fica pensativa e vai em rumo a caixa que o lagartão deixou de lado, o lagartão a tenta impedir, mas Ícaro entra na frente duelando abrindo espaço para Sofia pegar a caixa e poder partir levando – a para o encantado mundo de Lay (bondade em qualquer circunstância).
- Mas Ícaro se eu for salvarei o planeta e os humanos, mas você vai morrer nesse duelo, não por favor.
- Fique tranquila quanto a mim vou ficar bem, a morte não existe, o espírito é imortal, não há nada para temer a não ser minha própria ignorância.
Chorando e muito mal Sofia se tele - transporta para o mundo de Lay levando a caixa deixando Ícaro sozinho no duelo contra o demônio lagarto, zangado e revoltado Lagartão reclama:
- Maldição, por mil demônios que atormentam o mundo, como pode? Seu tolo vai dar sua vida por seres humanos idiotas, criminosos, assassinos, perversos, ignorantes e errados por que se importa tanto? Eu não acredito que perdi a caixa de pedra encantada agora vou tortura – ló e mata – ló para que aprenda a nunca mais estragar os planos malévolos de um rei das trevas, vai pagar caro, prepare – se para o seu fim humano tolo.
Lagartão furioso como nunca se prepara para bater e bater mais ainda em Ícaro.
Mas ele com seu uniforme de ninja já bem rasgado e machucado pensa:
- Não consigo vence – ló mesmo com os poderes do Cristal porque os poderes dele são bem superiores aos meus.
Então Ícaro se lembra dos cinco elementos nas artes marciais:
- Todo movimento em combate contém algum elemento em si, a terra está sobre a água, a água apaga o fogo, o fogo polui o ar, o ar emerge no éter e o éter é o todo, se eu aplicar os elementos corretamente talvez posso ter alguma chance.
Lagartão ataca Ícaro de forma bruta e pesada para causar nele uma grande sensação de dor ardente, Ícaro percebe a característica do fogo em seu golpe.
- a água apaga o fogo.
Então Ícaro se torna flexível como a água e consegue contra atacar bem o ataque de Lagartão, e quando este o ataca novamente mas dessa vez suave como o vento, Ícaro percebe nele o ar.
- O fogo polui o ar.
Então Ícaro o golpeia de forma ardente e pesada se sobressaindo mais uma vez sobre lagartão, com isso Ícaro começa a se sobressair melhor no combate e passa a ferir mais ainda seu oponente que se revolta e sente mais ódio ainda.
- Os cinco elementos, eu também conheço seu tolo, na verdade são sete elementos e você não conhece os outros dois, vou te mostrar. Retruca o lagarto.
Assim lagartão utiliza dos sete elementos cujo os dois últimos Ícaro desconhece e assim passa a perder novamente até que lembra mais uma vez:
- na Índia os cinco elementos são: terra, água, fogo, ar e éter, em outras tradições é: terra, água, fogo, ar e madeira, em outras: terra, água, fogo, ar e metal mas nas tradições chinesas taoístas e budistas é: terra, água. Fogo, ar e nada. O nada é simplesmente tudo, ele é invencível, todas as coisas repousam nele, não há nada mais do que ele, mesmo que existam dois elementos que desconheço o nada abarca também eles e também está além deles.
Então Ícaro em estado de meditação, esvazia sua mente alcançando o nada zen budista e taoísta e assim consegue surpreender mais uma vez o lagartão, a torcida em Lay e outros mundo de luz se animam mais uma vez gritando - Ícaro e se emocionando de novo, Sofia é a que mais tá ansiosa e preocupada na torcida da luta do milênio. Lagartão decepcionado pensa:
- que elemento é esse que ultrapassa todos os sete? É o vazio taoísta, o danado conhece bem cultura chinesa e oriental.
Então Lagartão pensa em uma estratégia e a lança, começa a provocar Ícaro com palavras que o tiram do sério, Ícaro sai do estado de Vazio se enfurece e deseja matar Lagartão, vai com fúria e ódio pra cima dele, lagartão bem mais forte começa a ganhar de novo, Ícaro apanha mais um pouco e se machuca mais sério, mas ainda lembra:
- É isso que ele quer, que eu fique zangado, com raiva e deseje mata – ló, o laço do diabo, faz alguém de vítima e dá razão a ela que se sente com todo o direito de violentar e maltratar o outro tornando – a tão errada quanto o agressor, se eu me entregar ao ódio e a vingança estarei sendo como ele, tenho que ser o contrário.
E lembra mais ainda quando Poseidum lhe fala:
- Você ainda tem agressão dentro de si, é um bom artista marcial e lutador mas tem que entender que uma pessoa pode agredir e não ser agressiva e outra pode não agredir e ser agressiva, pois a agressão na verdade é uma intenção ou tendência do ser interno da pessoa e não um ato cometido conforme a necessidade da situação, então retire toda agressão que existe no seu ser, apenas amor e bondade podem definir a verdadeira vitória.
Com isso Ícaro mais uma vez se lembra do nada, do Tao, começa a amar ao invés de odiar, retira do seu coração a agressão, age como o guerreiro da paz.
Lagartão sorrindo ataca – o, mas Ícaro se sai bem em suas defesas e contra – ataques com sua Katana Excalibur, a luta sai de igual para igual, a torcida das trevas se surpreendem e a da luz torce positivamente para Ícaro.
Lagartão percebendo dificuldade para um pouco e resolve se concentrar profundamente em seus poderes negros para atingir a Ícaro eliminando – o de vez, Ícaro também se concentra em seu poder para responder a lagartão.
- Vai ser um choque de poderes, luz vs trevas, poder contra poder, quem ganhar vence o duelo, diz Poseidum no mundo de Lay assistindo tudo por um globo visualizador.
Sofia começa a orar e mandar boas vibrações para Ícaro, todos da luz também se concentram nele para ajuda – ló e os das trevas se concentram na maldade, ignorância e perversidade para ajudar seu chefão Lagartão.
Ambos, Ícaro e Lagartão lançam seus poderes um contra o outro, começa a luta... cada um coloca bastante força tentando vencer e se sobressair, lagartão mais experiente se aproveita para colocar mais pressão em cima de Ícaro que é menos experiente, Ícaro se sente cada vez mais fraco mas sabe que jamais pode desistir. Lagartão começa a ganhar animando as trevas e a si mesmo, alguns da luz começam a perder a esperança e Ícaro se sente mais fraco cada vez mais sentindo que vai perder. Como um passe de mágica, Ícaro relembra certas coisas, lembrou de quando Nachiketa estava na casa da morte e recusou todos os tesouros terrenos e prazeres dos sentido se rendendo a iluminação espiritual como bem supremo, onde desde o início Nachiketas não estava interessado em bens materiais mas em entender o sentido da vida, da morte, de onde viemos? para onde vamos? Nachiketa buscou na vida o maior tesouro, o saber e a iluminação espiritual, lembrou também de Bodhidharma quando um discípulo seu lhe afirmou que havia alcançado o vazio, Bodidharma lhe deu um cascudo e falou: - Jogue fora esse vazio, Lembrou também do Zen Budista Hotei Mai que quando a ele se dirigiu um sujeito lhe dizendo certos segredos da iluminação, Hotei sabendo que talvez não fosse verdadeiro e sim superficial devido a ele apenas entender e decorar mentalmente os ensinamentos Hotei lhe testou para ver se ele realmente havia compreendido de verdade a iluminação além de qualquer limite ou prisão, tendo passado no teste o sujeito, Ícaro lembrou também do significado da palavra Lay (Bondade em qualquer circunstância) e quando lhe disseram que não é através do poder nem da força física que vem a vitória mas através do amor e do bem, então Ícaro começa a sentir dentro de si um amor universal por todos os seres e coisas, desperta dentro de si o bem, a sabedoria e a bondade suprema, entende as palavras de Krishna a Arjuna e se entrega devotamente aos pés do pai, incrivelmente Ícaro abaixa suas mãos, de si sai uma forte luz e energia, a luz da luz de verdade do amor e do bem, Ícaro alcança a iluminação espiritual nesse momento, incrivelmente Lagartão sente – se perdendo cai em um abismo escuro trevo roso... .
Sofia é a primeira a se tele – transportar e ir para onde Ícaro, chorando de felicidade abraça – o, beijando – o e dizendo:
- Você conseguiu você conseguiu é, é, é, é, é, Ícaroooo.
Todos se alegram menos as trevas.
Então a luz volta a reinar e tudo a andar naturalmente como antes, Ícaro e Sofia conseguem, e a humanidade pôde voltar ao seu normal, evoluindo naturalmente como é correto, sendo que o maior mal é apenas o mau que existe dentro de cada um mesmo e não algum ser ou coisa externa.
PARTE III – ÁREA 51 USA
Passando pela passagem a dupla dinâmica se depara em um lugar que reconhecem ser na Terra, avistam uma placa: Área 51 USA.
- Estamos nos Estados Unidos. Falou Sofia.
Ícaro lembrou que o gnomo deixou claro que na área 51 dos EUA havia uma passagem secreta como também um local onde os seres lagartos habitavam, sequestravam crianças para rituais de magia negra e outros fins em relação ao Planeta, lembrou que o governo dos EUA trabalha secretamente para os ET’S maligno e que estão também sendo usados e serão vítimas dos mesmos de forma que não sabem. Sofia se encheu de luz, segurou em Ícaro e falou que ia leva – lós até a passagem secreta pelo tele transporte, assim fez. Chegaram na porta que dava a alguma sala, entraram cuidadosamente e atentos, Ícaro levava sua Katana nas costas, entraram e entraram mais. Até que Ícaro falou:
- Vamos nos separar Sofia.
- Beleza Ícaro.
Entraram e entraram cada um por um lado e seguiram em frente.
Sofia escondida por trás de móveis e mesas avistou dois seres lagartos um cinza e um verde conversando:
- Eta rapaz que essa vida de ficar bastante tempo só no espaço em nave espacial é muito ruim mesmo.
- É ainda bem que o chefe aceitou a gente ficar por aqui nesse planeta tão lindo que os tolos dos humanos acham que são deles.
Sofia se encheu de luz, flutuando apareceu na frente dos dois:
- O que é isso? Falou o cinza.
- Sei lá mais deve ser algo ruim, vamos pegar. Respondeu o outro.
Ambos pegaram uma lança e partiram tentando acertar Sofia que se esquivava muito bem, ela conseguiu irrita – lós fazendo – os errar cada golpe desferido contra ela, e acabaram um enfiando a lança no outro, aí um berrou:
- E bicho burro você fez foi me acertar.
- E você também. Respondeu o outro.
Ambos acabaram caindo feridos no chão, se desmancharam em uma luz esverdeada partindo para cima e desaparecendo.
Sofia seguiu em frente.
Ícaro bateu de frente com uma carceragem cheia de prisioneiros humanos, homens, idosos, crianças e mulheres que estavam todos com olhares tristes e sem esperança. Na porta dois seres lagartos armados com uma lança, Ícaro pensou:
- Tenho que salvar essas pessoas, quem sabe elas podem mostrar a verdade dos governos ocultos para que o mundo todo saiba e acredite, o que vou fazer? Me parece que o gnomo me falou que esses lagartos aqui são um tipo de robô ou algo assim e não os originais mesmos, logo não duvido disso, eles são tão idiotas, não conseguem nem perceber minha energia nem ler meus pensamentos o que um ser lagarto de verdade saberia.
Ícaro desembainha a espada de suas costas e parte para o meio dos dois, no estilo do Kendo (caminho da espada, arte marcial japonesa com espadas) Ícaro tem um violento combate com os dois armados com lança, defesas, ataques, gritos, giros, saltos acontecem nesse duelo... Ícaro se fere e começa a perder, até que de repente Sofia aparece em forma de luz com suas asinhas e vai para o duelo ajudar seu parceiro, com a ajuda dela Ícaro aproveita a oportunidade para elimina – lós de vez, ambos se desmancham em uma luz esverdeada e desaparecem para cima. Sofia e Ícaro correm em direção a um molho de chaves, ela pega as chaves e abre as portas do cárcere libertando todos os prisioneiros que Ícaro acompanha para de lá saírem. Sofia ilumina a todos com sua luz e os tele – transporta para um lugar seguro, as pessoas vibram e agradecem, choram e se emocionam, Ícaro e Sofia cumprimentam a todos e os deixam nesse lugar seguro onde todos estão sãs e salvos, depois Sofia tele – transporta ela e Ícaro para outro lugar.
domingo, 19 de abril de 2015
PARTE II – O MUNDO ENCANTADO DE LAY
– Que lugar é esse? O que foi que aconteceu com a gente? Pergunta Sofia.
Ícaro responde – não sei, mas é muito estranho tudo isso, vamos andar, ver, procurar alguém ou alguma coisa.
Começam a andar pela grama olhando para os lados, encantados com a paisagem, curiosos e sem nada entender começam a conversar:
Sofia fala: - É Ícaro e agora se agente estiver perdido aqui? Há não e a vovó Flor e o vovô Chiquinho?
– Calma eu sei que tudo isso tem alguma explicação e mais cedo ou mais tarde ela vai aparecer e a gente vai sair dessa.
Sofia segurou na mão de Ícaro:
– Eu tô muito preocupada, e agora? Falou com sua vozinha infantil.
- Calma, paciência é a única coisa que podemos ter agora, eu sei que tudo vai ficar bem.
Sofia adepta do Budismo pensou:
– É isso mesmo, serenidade mesmo que tudo esteja em uma tempestade, pra que se preocupar? Na natureza tudo são apenas consequências como disse meu titio Hélio e titia Helena, nada passa do que simplesmente somos e fazemos, tudo é reflexo de nós mesmos, tudo o que existe dentro de nós existe fora, nada devo temer a não ser meus atos errados, imperfeiçoes e ignorância, o inimigo é sempre nós mesmos.
Como se estivesse lendo seus pensamentos Ícaro fala:
– Tenha calma e se tranquilize tá? O maior mal está dentro de nós mesmos e não fora, a gente vai sair dessa.
Sofia olha para Ícaro e ele olha para ela, os dois sorriem sacodem a cabeça num sinal positivo de sim e seguem em frente a caminhada. Os dois se direcionam a uma cachoeira, vão à beira de uma fonte com a água clara, muita linda, sentam à beira da fonte, bebem um pouco de água e conversam, Sofia vai para bem pertinho de Ícaro, escutam uma voz de dentro da água:
– Oi irmãozinhos.
Os dois levantam – se rapidamente quase assustados.
– Quem está falando, há alguém aqui? Falam os dois juntos
– Olá meu nome é Poseidum.
- Poseidum? Perguntam os dois juntos novamente.
Uma luz que sai da água em forma de peixe humanoide levita por cima da água e vai até Sofia e Ícaro:
– Bem vindos a Lay meus irmãozinhos.
- A Lay? O que é isso? Perguntam os dois juntos novamente.
A luz se transforma de vez em uma linda mulher loira de olhos verdes cabelos cacheados e roupa branca, ela fala serenamente :
- Lay é um pequeno mundo no astral paralelo ao mundo de vocês, onde habitam e só pode entrar apenas criaturas inocentes, amorosas, compreensivas e muito bondosas, nenhum habitante de Lay tem maldade, ciúmes, inveja nem mesmo em grau mínimo todos são completamente bondosos e gentis ao extremo, é um mundo que pra vocês é uma utopia, o verdadeiro paraíso de bondade, paz, serenidade, ternura, amor e muito amor mesmo... aqui não temos línguas, falamos todas pois nosso sistema permite que tenhamos uma visão, percepção e língua universal em qualquer mundo ou universo, não temos formas podemos ser o que queremos ser, temos várias capacidades que vocês chamam de para normalidade como a telepatia, tele - cinese, tele - transporte e outros dons mais... somos seres ligados aos anjos em pureza, serviço, inocência e amor mais muito abaixo deles também, venham comigo temos muito o que conversar.
Ícaro e Sofia seguem a mulher, muitas crianças aparecem de vários lugares, rodeiam, abraçam Ícaro e Sofia, eles correspondem a atitude das crianças sorrindo e com muito carinho... continua falando a mulher:
- Vocês podem me chamar de Poseidum, aqui todos são crianças, ser criança na verdade não é uma questão de idade e sim de inocência, amor e pureza no coração, para muitos no mundo físico de vocês essas coisas são bobagens, tolices e fantasias mas na verdade é o destino supremo de todos num futuro ainda bem distante, o brinquedo de uma criança é o objeto que um adulto precisa para acabar com a ignorância que existe na Terra, só o amor e o bem são capazes de salvar os humanos e seu mundo.
Então Ícaro pergunta:
- Você disse que não mora aqui nem entra quem não tem certas características de bondade e amor universal, então por que eu e a Sofia estamos aqui?
– Isso mesmo, Lay é só um termo utilizado para vocês, não tem nada haver com o significado que alguma língua ou conceito cultural de vocês quer dizer, essa palavra para as suas linguagens deriva de uma outra palavra “HAHALAYLAY” vinda de uma civilização a anos luz de evolução de todos nós e quer dizer: “A bondade em qualquer circunstância” que foi dado a nosso mundo por aqui habitarem e poder entrar somente seres inocentes, sem maldade alguma e extremamente bondosos, gentis, o caso de vocês é uma exceção que já vou lhes explicar melhor.
Poseidum se dirige a uma casa em forma de triângulo, entram todos na casa com as crianças, Ícaro e Sofia olham surpresos para a casa que é toda iluminada e de objetos diferentes do que eles conhecem.
- Vejam. Fala Poseidum e aponta em direção a uma luz que surge como um globo visualizador onde aparece imagens conforme vai falando e descrevendo aos dois:
- Neste universo enorme há mundos e mundos, seres e seres em diversas formas, dimensões, culturas e coisas imagináveis até pra nós mesmos aqui de Lay, existem por exemplo os Andromedanos que são seres da constelação de Ândromeda, os Pleiadianos das Plêiades que são seres que de vez em quando visitam o planeta Terra ou mundo de Urântia ajudando os humanos em sua evolução espiritual, existem diversas esferas de seres elevadíssimos ligados ao planeta como o mais famosos Jesus Cristo como é mais conhecido e chamado por vocês, Buda Sidharta Gautama, Krishna, Maomé, Zoroastro, Moisés entre muitos outros, mas eu sei que vocês já sabem dessas coisas, mais a questão é que no tempo cronológico de vocês no mundo físico entre 5.000 a 6.000 anos atrás diz a lenda que veio até o mundo de vocês uma raça de seres verdes, alguns cinzas e outras cores mais, parecidos com lagartos ou algo assim com más intenções com a humanidade, esses seres são evoluídos em alta tecnologia e conhecimento mas não são em espiritualidade e amor, eles tem suas histórias e pseudo - motivos para tudo isso, eles querem escravizar a humanidade e os humanos porque os consideram tolos, idiotas e inferiores, mentem dizendo que os humanos vieram de uma experiência extraterrestre que deu errada, esses seres estão infiltrados entre vocês com seus objetivos egoístas de atrapalhar a evolução natural e benéfica dos humanos e assim prejudicar a todos, esses seres também fizeram uma aliança secreta com certos governos mundiais da Terra, enganando eles é claro e os convencendo de forma satisfatória para que conspirem secretamente contra toda a humanidade não a deixando progredir nem evoluir e fazendo com todos tudo aquilo que querem fazer de forma imperceptível para que não enxerguem a verdade e caiam em suas ciladas invisíveis, desde essa época esses seres tem aliança com certos personagens históricos e preservam uma linhagem genética que ligam esses personagens a eles, foi feito várias vezes manipulação genética com todos de forma imperceptível, a evolução por exemplo ensinada por Darwin não continuou de forma natural devido a essa manipulação, eles são magos negros e ensinam parte da magia a seus aliados terráqueos, vampiros são lendas ligadas a eles, Conde Vlad o Conde Drácula era ligado a eles geneticamente, Hátila rei dos Hunos também e hoje certos líderes mundiais e até pessoas comuns, quem se liga a eles em pequena porção genética pode realizar um ritual de magia negra pouco conhecido e despertar dentro de si características, poderes e até forma deles, tudo isso parece um absurdo mas é tão absurdo como os milagres de Cristo e a capacidade de Moisés através de Deus de cruzar o mar vermelho. Eles usam a TV, mídia, indústria de alimentação, culturas, sistema financeiro e muitas coisas sociais e mundiais em favor deles de forma invisível e imperceptível às pessoas, com isso elas se tornam passivas em saber e evolução espiritual, não tem acesso ao verdadeiro caminho e conhecimento, fraudam a verdade, enganam, faz com que se sintam satisfeitos com uma cultura baixa, pequena, vulgar e de baixíssimo valor moral e espiritual fazendo com que pensem e se sintam bem dessa forma... um avatar como Cristo por exemplo quando vem à Terra se sente como se estivesse em um lamaçal de porcos em relação ao nível de entendimento e ignorância para tolerar e ensinar tais selvagens que se consideram conscientes, civilizados, bons e conhecedores de alguma coisa... também existem muitos teóricos dessas conspirações, uns que entendem um pouco, outros fanáticos demais, outros fantasiosos demais e assim por diante, eles influenciam muitas pessoas também, só que a única coisa que pode salvar o homem é o bem e o amor, a cessação da ignorância espiritual, então muitos que conhecem e sabem dessas coisas são vítimas do mesmo jeito dos outros desse sistema deles, porque não estão espiritualmente ligados ao bem , ao amor e as hierarquias superiores. Só o amor universal, o perdão, a compreensão, a caridade, a transformação interna faz a diferença, quem tem muito conhecimento mais espiritualmente é quase nada anda mais distante de que quem sabe pouco mais é espiritualmente evoluído, só os mistérios internos nada mais pode salvar o homem e a humanidade. Existe um bom movimento para resgatar tudo isso do homem na Terra como a Figueira de Trigueirinho, seres como Osho, alguns monges Hare Krishna, budistas, espíritas, sufistas dentre muitos outros mais, até mesmo mulçumanos, evangélicos e outros também fazem parte de contribuintes da obra maior, quando não corrompido ou mal interpretado. No século XX por exemplo o planeta entrou em uma Nova Era, a Era de aquários, os humanos se encontram ainda muito distantes do bem, do amor e da civilização moral espiritual superior, o planeta se encontra agora em uma situação caótica, apesar de também no século XX muitos seres inferiores foram regenerados e modificados, como se a ignorância fosse expulsa do planeta e agora só depende dos seres humanos, mas estes lagartos insistiram em lutar contra a lei que os expulsaram e devido ao grau de ignorância humana eles conseguiram mais uma chance de poderem dominar o planeta e os humanos... com isso a luz também respondeu, mas como a situação tá caótica mesmo, um ser superior líder da Confederação Inter - Galática Universal decidiu mudar o jogo e a história dessa emocionante aventura em jornada a Deus, escolheu duas pessoas para representarem e salvarem o mundo, e essas pessoas são vocês dois, uma garota Sofia: gentil, bondosa, obediente e muito esperta, Ícaro: Sonhador, não sabe dizer não a ninguém, considerado bobo pelo seu jeito de ser, artista marcial, consciente de seus defeitos, tem noção de seus erros do passado e procura o amor e o bem para se restaurar. Vocês dois precisam encontrar primeiro o cristal de arco – íris na gruta do sonho azul para terem poderes compatíveis a enfrentar essas feras que iram encarar, o cristal é protegido por guerreiros guardiões mas devem ter acesso a ele mesmo assim, o mundo de Lay tem as características para salvar os homens, por isso foi permitido vocês entrarem aqui, vou guiar vocês no que posso... .
Ícaro sacudiu a cabeça movendo a boca fechada, Sofia olhou diferente, se olharam e sacudiram a cabeça um pro outro.
Uma mulher negra escura muita linda apareceu de repente rodeada de luz e disse aos dois:
– Vou leva –los ao mundo do sonho azul, os deixarei e lhes indicarei o caminho ao cristal de arco íris, sigam – me.
Poseidum abraçou Ícaro e Sofia os beijou e falou:
- lembrem – se apenas de uma coisa, a maior força e maneira para se vencer não é através da luta corporal, não é através do poder nem domínio da massa mas é através do amor e da bondade que existe dentro de cada um.
Falando assim Ícaro, Sofia e a guia partiram.
A guia com as mãos criou uma bola de luz que foi se expandindo cada vez mais, abriu – se um portal de luz e então ela falou aos dois:
- Segurem – se em mim.
Ambos se agarraram nela e foram transportados para dentro do portal, apareceram em uma floresta com altas árvores e uma estrada à frente, a guia apontou com o dedo para frente falando:
- Ali naquela gruta, lá dentro está o cristal de arco – íris que lhes vão dar o poder para combater os lagartos da ignorância espiritual, vão com cuidado e saibam que terão que passar pelos guardiões guerreiros para ter acesso ao cristal, vão com Deus e boa sorte em tudo, o planeta e as pessoas dependem de vocês.
Ícaro e Sofia agradeceram e partiram em direção a gruta que conseguiam avistar de longe. Caminharam e caminharam, às vezes Ícaro levava Sofia nas costas, iam alegres, conversando, brincando, ás vezes paravam para sentar, brincar um com o outro, iam olhando as paisagens da floresta até que ambos se deparam com um homem amarrado no solo sendo bicado por abutres sem nunca conseguir morrer, Ícaro e Sofia tentam desamarrar o homem em vão e aí Sofia pergunta:
- O que está acontecendo, por que o senhor está assim?
- Eu era um humano comum, de tanto sofrer me revoltei com a vida e com todos os humanos, fiz o mau que pude contra tudo e contra todos, me uni aos lagartos do mau que odeiam humanos, eles me convenceram e me enganaram, sozinho ninguém me estendeu a mão por ser mau demais e agora me puniram dessa forma.
Então Ícaro e Sofia cantam a ele a canção de Lay:
- Se você também acha que pode tudo, se você também pensar que é muito mais, se te falta amor ou compreensão vem você também cantar conosco essa canção:
- É só abrir seu coração é facinho de viver é amar, amar a tudo e ao bem se entregar: Há Há Há lay lay lay – Há Há Há lay lay lay
- Dois, três vamos ganhar o mundo o bem sempre vence, pro mau não tem jeito não, morar em lay é tão facinho pra viver é só amar, amar e ao bem se entregar: Há Há Há lay lay lay – Há Há Há lay lay lay
- Escute essa canção não é difícil de entender abrir seu coração e amar sem ver de quê: Há Há Há lay lay lay – Há Há Há lay lay lay – Há Há Há lay lay layyyyy ... .
Essa canção aparece como um clip lindo que inclui crianças, amor muito amor e animais. Ícaro e Sofia fazem as vozes e o coro com as crianças e os animais.
Com isso o homem abre seu coração ao amor, se arrepende, sente uma grande transformação interna de treva para luz, ódio para amor, se ilumina e se liberta das amarras, ele agradece a Ícaro e Sofia e segue livremente seu caminho transformado e mudado, prometendo que em tudo o que errou fará o oposto dessa vez.
Assim Ícaro e Sofia continuam a jornada até que em um determinado momento sentam debaixo de uma árvore e deitam, até que escutam uma voz dizendo:
– Folgados.
Ambos levantam - se rapidamente, olham para os lados e veem quando da árvore sai vários seres bem pequeninos. E um deles fala:
– Somos duendes dessa floresta, eu não sei por que escolheram duas crianças como vocês para importante missão.
Ícaro respondeu:
– Eu não sou criança não, e vocês por que não ajuda a gente em alguma coisa ao invés de ficar só apontando demais?
Respondeu um outro duende:
– Amiguinhos estamos aqui mesmo para ajudar vocês até a ida daqui para a gruta do cristal de arco – íris pois daqui pra frente é a região da parte negativa do sonho azul e sem a gente vocês jamais vão conseguir chegar lá.
- Que bom respondeu Sofia.
Partiram Ícaro, Sofia e os duendes de poucos centímetros. No caminho também apareceram algumas fadas que também ajudaram Ícaro e Sofia até a gruta do Cristal.
Chegando de frente a gruta, magicamente os duendes e as fadas desapareceram. Ícaro e Sofia se viram sozinhos novamente, Ícaro foi na frente e disse a Sofia que ia entrar sozinho primeiro... quando de repente árvores, pedras, galhos e até uma parte do chão do lugar começaram a se transformar em seres de diversas formas, um em forma de pedra foi rumo a Sofia e a pegou pelo braço e a levantou, então ela gritou:
- Socorro Ícarooo.
Ícaro correu em direção a criatura saltando alto com um chute voador no rosto da mesma que soltou imediatamente Sofia. Ícaro falou:
- Sofia esconda – se deixe eles comigo.
Sofia correu e procurou se esconder mas algumas criaturas foram atrás dela. Ícaro se esquivava das criaturas golpeando – as com técnicas de Karatê, mas sem efeito contra seres superiormente mais fortes... pegaram Sofia, encurralaram Ícaro derrubando – o ao solo, uma criatura de galho falou:
- Você está usando sua força e habilidade física, jamais vencerá a batalha espiritual dessa forma, sabemos quem são vocês e vamos permitir que peguem o cristal de arco – íris estava – mos apenas os testando mas ainda não sabem utilizar suas forças internas para triunfar sobre os conflitos externos, vocês são muito humanos mesmo esse é o problema de vocês, entrem e toquem o Cristal.
Ícaro e Sofia entram na gruta, avistam um lindo cristal com as cores do arco – íris, vão em direção ao cristal e o tocam cuidadosamente, uma luz muito forte surge do cristal se manifestando 7 seres de luz cor: azul, ouro, rosa, branco, verde, vermelho e violeta. Conhecedor de esoterismo Ícaro fala:
- É a cor dos sete raios que trabalham na Grande Fraternidade Branca do planeta para a evolução espiritual dos seres. Azul é El Morya, a vontade, ouro é Confúcio, a sabedoria, rosa é Kaeena, alegria e inteligência, branco eu me esqueci mas se relaciona com a medicina e a arte, verde é Hilarion com o arcanjo Rafael representam a cura e a saúde, vermelho é o amor universal, o bem e violeta Saint Germain a transformação, tudo no mundo se liga a uma dessas sete correntes superiores, eu não estou acreditando no que eu estou vendo.
Os seres estenderam seus braços em direção aos dois lançando um tipo de luz e energia conforme suas cores, do alto cinco fadas desceram até Ícaro e Sofia em forma de luz e cada uma de cada vez entrava no campo de energia e falavam uma palavra:
A primeira: - amor.
A segunda: - caridade.
A terceira: - compaixão.
A quarta: - Fé.
A quinta: - sabedoria.
Ícaro magicamente ficou vestido em um uniforme de Ninjutsu cor azul, Sofia se encheu de luz, criou duas asinhas e pôde ficar do tamanho que queria.
Uma voz falou:
- Pela união das cinco virtudes sagradas eu lhes permito o poder para essa missão.
Ícaro e Sofia se olharam, olharam para si mesmos, sacudiram a cabeça e se retiraram. Na saída da gruta uma das criaturas de árvore vai ao encontro de Ícaro com uma espada na bainha e fala:
- O sagrado Rei Arthur que hoje vive em Avalon também trabalhou em prol do bem da humanidade, sua lenda é só uma simbologia de toda a história, ele teve excalibur, era um cavaleiro guerreiro da ciência do combate, você Ícaro um guerreiro do karatê e das artes márcias, te presenteio com essa Katana (espada dos samurais) para essa missão importante, o nome dela é:
- Katana Excalibur.
- Beleza, respondeu Ícaro e continuou:
- Vamos nessa Sofia.
- Boa sorte. Falou a criatura árvore e continuou:
- Lembrem – se a única forma de se vencer o mau é só através do amor e da bondade.
terça-feira, 31 de março de 2015
PARTE I – ÍCARO E SOPHIA
Desde cedo quando ainda tinha apenas quatro anos de idade
Ícaro parece já ter nascido apaixonado por artes marciais, por influência dos
filmes de Bruce Lee, Jean Claude Van Damme, Chuck Norris e outros, ele era um
sonhador nato, sonhando um dia em ser um super – herói na vida real assim como
via nos filmes e nos desenhos animados que tanto gostava e cresceu assistindo,
sua mãe Maria que era espírita Kardecistas lhe educou desde cedo nessa doutrina
religiosa tornando Ícaro precocemente um estudioso e conhecedor do que ensina e
fala essa nobre doutrina, assim ainda entrando na adolescência conhecendo e
tendo intimidade com pessoas cultas que mais tarde se tornaram seus grandes
amigos, Ícaro diferentemente de outros garotos começou a estudar por si mesmo
filosofia, espiritualidade, poesia e artes marciais a fundo que sempre foi na
verdade sua maior paixão, se sentia um garoto diferente dos outros, quando
falava já impressionava com sua elevação cultural por gostar de ler e se
interessar por assuntos intelectuais e espirituais, até as pessoas mais
próximas notavam sua diferença e destaque comparado aos outros, com uma
educação e comportamento gentil, bondoso Ícaro sempre gostou de ajudar as
pessoas, sempre se sentiu bem com isso, sempre foi consciente da vida, já tendo
discernimento precoce desde cedo do certo e errado, tendo sempre uma grande
tendência ao bem e com consciência de que sempre se deve procurar melhorar – se
e ser uma melhor pessoa cada vez mais. Ícaro já sabia que trazia essas
tendências de suas vidas passadas e que nessa seu papel é o de vencer seus
defeitos mais ocultos e se tornar melhor ainda... sempre teve também uma grande
tendência de ser religioso, percebia isso nele mesmo e chegou a pensar em ser
padre, monge e outras coisas mais, na intenção de viver somente para a vida
espiritual. Ícaro cresceu praticando Karatê entre outras artes marciais como
jiu – jitsu, Capoeira, Kickboxing e defesa pessoal, sempre foi um bom aluno na
escola se destacando entre os demais, sonhador de natureza, simples, humilde,
quieto e às vezes calado, cresceu normalmente igual a qualquer outra pessoa ao
lado de sua irmã Lara e seu pai Paulo, que divorciou quando Ícaro ainda era
adolescente de sua esposa Maria ficando Ícaro e Lara às vezes com o pai e
outras vezes com a mãe. Já adulto Ícaro com um corpo naturalmente um pouco
forte, moreno, com 1,72 m de altura nos seus 73 Kg, olhos puxados parecendo ás
vezes com algum oriental, Ícaro ainda cursou filosofia desistindo do curso em
um período já avançado por problemas e questões pessoais... se sentindo como se
viesse de um outro planeta Ícaro se achava às vezes um pouco problemático em
relação a esse mundo, em se adaptar com o modo de vida e cultura das pessoas e
da sociedade... ele sonhava igual a muitos gurus Indianos em encontrar a
iluminação espiritual, ser monge, se dedicar apenas ao bem e ao amor universal,
às vezes pensava em largar tudo e ir para certas comunidades espiritualistas
como a Figueira de Trigueirinho em Minas Gerais ou então ser um monge Hare
Krishna ou Budista, coisa que ele tentou até se tornar adepto mesmo, em um
templo ou algo assim mas que não teve sucesso como sonhava e desejava, sabia
que em vidas passadas cometeu erros graves e foi sempre muito mau para já
nascer com tal espírito e personalidade.
Já adulto morando apenas com sua irmã, Ícaro lia um livro
sossegado de esoterismo no quintal de sua casa debaixo de uma pequena árvore
como era acostumado a fazer, meditava em cada coisa que lia e achou
interessante quando viu uma frase no livro que dizia:
– Os conflitos, problemas, dores e inimigos é a resposta
certa de tudo o que você merece e precisa para melhorar – se, mesmo que isso
você não entenda, perceba ou então se ache bom demais para não passar por
certas dificuldades que você enfrenta e que a bondade e o amor é o único
caminho para se redimir de qualquer erro e também a forma para que tudo mude e
se transforme para melhor.
Mais na frente o autor do livro complementa:
– Todos merecem ser perdoados assim como todos querem ser
perdoados independente do erro.
Ícaro colocou o livro em seu rosto se debruçou mais na
cadeira e fechou os olhos, pensou:
– Acho que é melhor eu ir treinar...
Pôs – se a ir dentro da casa, vestiu o Kimono e foi treinar
alguns Katas (Formas e movimentos imaginários no Karatê).
Na mesma cidade Sofia uma menina morena de cabelo curto no
pescoço era uma criança que vinha de Brasília para a cidade que Ícaro morava no
interior do Maranhão, era julho, ela estava de férias e como seus avós eram
dessa pequena cidade ia sempre para lá nas férias para aproveitar banhos e algo
mais tranquilo diferente da cidade grande. Sofia era uma garota de apenas 7
anos, muito inteligente, esperta, muito educada, obediente, disciplinada,
também se sentia um pouco diferente das outras crianças, das pessoas e do mundo
ao seu redor, sua marca é que era muito boazinha, pura, inocente e estava
amando e se encantando cada vez mais pelo budismo que conhecera a pouco tempo
em Brasília através de um tio e uma tia sua.
Sofia andava com a sua avó voltando das compras que fizeram
num supermercado, viu alguns de seus coleguinhas assistindo algo dentro da casa
de alguém, Sofia olhou para sua vó e disse:
– Vó olha ali a Tamires, Joaquim a Elane deixa eu ir lá vovó
é já que eu vou pra casa.
Como estava perto mesmo de sua casa sua Vó Flor a deixou ir
brincar com seus coleguinhas. Chegando lá Sofia fala com todos e fica na porta
olhando na varanda da sala, onde estava Ícaro treinando artes marciais com alguns
colegas seus com equipamentos de treino, era comum sempre crianças ficarem
assistindo o treino do lado de fora da sala sentadas, brincando e conversando,
Sofia se pôs a brincar e conversar com seus coleguinhas assistindo ao treino de
Ícaro. Depois do treino Ícaro suado, conversando com seus colegas, começou a
comentar em irem para um rio ou um banho ali por perto para lancharem e sair um
pouco, algumas crianças que ali estavam e eram irmãs de alguns colegas de
treino de Ícaro falavam a seus irmãos que também queriam ir e assim foram todos
de bicicleta uns levando outros e até Sofia foi levada por uma amiguinha.
Chegando numa pequena laje, estacionaram suas bicicletas, uns forma correndo,
sorrindo, brincando, outros foram caminhando para a beira da água e outros para
dentro da água mesmo, Sofia ficou com seus amiguinhos brincando na beira... em
um bom momentos compraram lanches, lancharam, banharam e se divertiam. Sofia
chamou uma amiguinha:
– Aninha vamos atravessar e andar um pouco por ali.
Nadaram até o outro lado que estava Ícaro e colegas
conversando sobre lutas e artes marciais. Sofia e Aninha um pouco atrás
começaram a andar por entre o mato, conversando e sorrindo... até que de
repente uma luz esverdeada chama a atenção das duas por trás de uma árvore,
curiosa Sofia chamou Aninha para ir ver, meio assustada Aninha disse que estava
com medo e não queria ir, Sofia foi sozinha, viu uma criatura verde de escamas
em pouca parte do corpo e uma pele que parecia uma pele de cobra, muito alto
que segurava um objeto estranho na mão, Sofia gritou e quis correr mais a
criatura a agarrou, Aninha correu assustada gritando por socorro, escutando,
Ícaro e seus colegas correram em direção ao grito de Aninha, como corria mais
que os outros Ícaro tomou distância, bateu de frente com Aninha que apontava em
direção a Sofia e a criatura, dizendo com uma voz assustada:
– A Sofia, um monstro muito feio.
Ícaro correu em direção ao lugar que Aninha indicava, viu
Sofia tentando se soltar da criatura que a estava colocando em seu ombro e
mexendo no objeto estranho, Ícaro na carreira que estava chutou o objeto que
caiu no chão, chutou a criatura com um chute frontal, utilizando técnicas
marciais lutou com a criatura derrubando - a no chão tirando Sofia dos braços
da mesma, quando de repente uma luz muito forte e misteriosa que veio do alto
da árvore levou Ícaro e Sofia, fazendo – os desaparecer do local em que estavam...
a criatura reclamou:
– Essa não.
Correu e fugiu pegando o objeto estranho em sua mão. Quando
os outros rapazes chegaram só estava o local vazio apesar deles terem visto o
rastro e sombra da criatura fugindo, Aninha contou a história que presenciou e
ficaram acreditando que Ícaro e Sofia foram raptados por um monstro.
terça-feira, 24 de março de 2015
Lírio-do-Vale, a Rainha Orquídea, o Rei Nenúfar e a Tulipa Amarela
Lírio-do-Vale, a Rainha Orquídea, o Rei Nenúfar e
a
Tulipa Amarela
A Rainha Orquídea mandou que procurassem o mais bravo
aventureiro para descobrir o mistério da maldição do coração de seu marido, o
Rei Nenúfar. Lírio-do-Vale, o valoroso aventureiro solitário das Terras Jardim,
chegou depressa ao Castelo de Turfa, montado em sua esperança de nome Saudade.
Passou primeiro por provas de força e coragem, aplicadas
pelos mariposeiros da ronda noturna e até mesmo pelos honrados besoureiros
reais. Enfrentou com facilidade os desafios de força, superou-se nos testes de
coragem, porém o que mais surpreendeu as Damas da Noite que acompanhavam com
expectativa as façanhas daquele jovem tão belo e de tanta força de caráter foi
sua ágil demonstração de inteligência. Perguntaram-lhe difícil, para que
escorregasse por entre palavras, mas ele respondeu sempre rápido e com a
facilidade tal de quem mesmo tivesse elaborado a questão.
Ocorre que desde que era apenas um botão, Lírio-do-Vale
recebia pouca água de chuva, retida em grandes folhas mais acima. Quando
realizava algum feito trabalhoso, sentia a umidade e entendia que só era
cuidado quando fazia algo extraordinário. Na verdade era o orvalho, que só
sentia plenamente quando acordava mais cedo que de costume, e só acordava mais
cedo quando antes havia trabalhado demais. Desde então Lírio-do-Vale amparou-se
na mesma crença: jamais seria cuidado, apenas se fosse bom o suficiente e
realizasse grandes feitos.
Superados os desafios, foi apresentado à Rainha Orquídea,
que o recebeu com manifesta dedicação. A Rainha acreditava que só lhe ajudariam
se fosse carinhosa e positiva, pois assim funcionou por tanto tempo; correr o
risco de perder o sorriso de seus súditos lhe parecia doloroso demais. Guardava
todos os seus “nãos” para os familiares, apenas.
Ela contou-lhe que já havia cinco anos que seu marido, o Rei
Nenúfar, tivera congelado seu coração por uma terrível e misteriosa maldição.
Outrora tão amável, generoso, caridoso e carinhoso, Rei Nenúfar mal olhava para
as pessoas. Continuou a tratar dos assuntos do Reino de forma objetiva, apagado
aquele calor que lhe era característico, desaparecido aquele amor que o fazia
cuidar de sua Terra como se fosse sua mãe, chorando por ela, chorando com ela,
rindo e bebendo a ela quando a alegria trazida pelo sol permanecia mesmo quando
já estava para se deitar. Agora, seco, fazia o que devia ser feito e nada mais.
Como quem alimenta um moinho, pouco importando o que dele se faz. E com ela, a
Rainha, pobre coitada! Antes doce e meigo; agora seus beijos encostavam-na como
uma casca seca de árvore endurecida pelo rigoroso inverno.
Lírio-do-Vale se emocionou com a história que a Rainha lhe
narrou e quis muito ajudar. Beijou sua mão e prometeu que traria seu marido de
volta, assim como era antes da maldição, para que ela mais uma vez pudesse
desfrutar do sol, tomar seus banhos felizes e dormir com sonhos bons de quem
tem o amor.
Montou em sua esperança e saiu voando a procurar pistas para
resolver o mistério. Perguntou por todo o vilarejo sobre o que as pessoas
lembravam da época que o Rei era o homem bom de quem todos gostavam. As
borboletas nada lembravam, eram tão crianças! Só sabiam do mundo como era
agora, esqueceram-se de seu duro passado, ignoravam os medos e os traumas que a
todos transformam. Todos os outros habitantes pouco ou nada lembravam.
Sabiam de si e que havia um Rei; como agia, se estava triste
ou se sorria, pouco lhe importavam. Lírio-do-Vale achava que sua busca era em
vão. De que adiantava tanta coragem, tanta força e dedicação, se ninguém podia
lhe ajudar no caminho para a verdade? De que adiantava ser tão inteligente se
por mais rápido que pudesse pensar, mal sabia por onde começar! Assim
confirmava suas ideias que não merecia cuidados exceto se fosse bom o
suficiente. E o desespero lhe consumia.
Pousou numa macieira para descansar observando as rubras
maçãs, deliciosas ao olhar, refrescantes para sua cabeça atormentada pela
vergonha de não cumprir a promessa que fizera com tanto sentimento à bela e
amável Rainha Orquídea. “São lindas, não são, as minhas filhas?”, indagou a
macieira a seu hóspede, com o orgulho e a serenidade de uma senhora que já
viveu tantos anos e teve tantas filhas bonitas que já rodaram por tantas partes
do mundo, apesar de ela, a mãe, admirá-las tranquila, sempre parada no mesmo
lugar, sem ânsia, sem agonia, com satisfação pelos frutos de seu amor.
“São mesmo muito bonitas”, respondeu Lírio-do-Vale. “Só elas
para confortarem-me de minha derrota.” E, assim, Lírio-do-Vale contou toda a
sua história para a Dona Macieira, de como se encantou com a beleza e com a
gentileza da Rainha Orquídea, de como se sensibilizou com sua história e
prometeu ajudá-la a salvar o coração do Rei, mas não conseguia obter qualquer
pista sobre o mistério da maldição.
A macieira, então, muito calmamente, contou-lhe sobre o que
lembrava do Rei Nenúfar quando ele ainda era apaixonado e passeava pelos campos
para ouvir a canção dos pássaros e os conselhos da lua. Disse ela que havia uma
feiticeira perigosa, evitada por todo o reino e que nutria uma profunda paixão
pelo Rei Nenúfar. A feiticeira Tulipa Amarela ficou tão triste quando o Rei se
casou, que se escondeu de todos, indo morar bem longe, profundamente emaranhada
no coração da floresta.
A macieira disse que viu também, por duas vezes, depois de
chorar por sob seus galhos, o Rei Nenúfar adentrando sozinho na floresta. E foi
depois da segunda vez que a macieira nunca mais o viu e agora percebia que
aquelas lágrimas deviam ter sido as últimas que o antes tão sentimental Rei
derramara.
Lírio-do-Vale suspirou fundo e agradeceu a Dona Macieira por
ter lhe contado tudo de bom grado. Não sabia ainda como poderia salvar o
coração do Rei, mas pelo menos tinha conseguido importantes pistas para
entender o mistério. Despediu-se da Macieira, que desejou sorte ao Rei, e de
suas filhas, montou em Saudade e partiu renovado na direção do Castelo de
Turfa, para informar à doce Rainha Orquídea o que havia descoberto.
Aterrisando frente aos portões, arrepiou-se por um certo
instante com o olhar gelado que recebeu de um espírito tão forte. Deparara-se
com o Rei Nenúfar! Tanto lutava para ajudá-lo, mas nem sequer cogitava
dirigir-lhe a palavra, tamanho o desardor com que o Rei o ignorava. Saía com
seus besoureiros reais para resolver assuntos e não lhe prestavam as conversas
miúdas. Lírio-do-Vale acompanhou com os olhos o voo do Rei por alguns instantes
e depois entrou no castelo em busca da Rainha Orquídea.
Ela o aguardava em seu quarto, cercada pelas Damas da Noite,
que suspiraram ao ver Lírio-do-Vale tão de perto e se lamentaram quando tiveram
que sair a pedido da Rainha para que os dois ficassem a sós.
Lírio-do-Vale segurou bem forte sua mão, com compaixão, e
disse-lhe o que descobrira. Percebendo que a Rainha Orquídea continuava
confusa, complementou com o que achava que podia ter acontecido. Sem ter plena
consciência de seu intuito oculto de fazer a Rainha desgostar do Rei, montou
sua hipótese da seguinte forma:
O Rei Nenúfar, num momento que se sentiu triste, procurou o
consolo de Tulipa Amarela, antiga sua enamorada, que, num momento de fraqueza
do Rei, se aproveitou para exteriorizar sua inveja pelo casamento com a então
princesa Orquídea e lhe enfeitiçou, lançando-lhe uma
maldição para que ele nunca mais pudesse amar.
Orquídea ouviu preocupada e emocionada, com muita atenção,
e, ao fim, chorou como chora às vezes a primavera quando lembra das flores que
se foram e reza com seu sentimento às que estão nascendo. Lírio-do-Vale
abraçou-a com carinho. Ela lembrava-se de tanto amor que tinha vivido com seu
marido, e chorava num misto de saudade e de desilusão, por ter perdido seu amor
daquela maneira, por não conseguir entender e suportar a traição. Guardou
consigo a raiva de seu ciúme, pois para si era mais importante ter o carinho do
Rei de volta. Concentrou sua dor em imaginar que sua perda foi causada pela
mera inveja de uma feiticeira.
Lírio-do-Vale a beijou e a segurou firme pela cabeça.
Decidiu partir para a floresta cedo no dia seguinte e enfrentar face a face a
feiticeira Tulipa Amarela em nome da delicada Rainha. Despediram-se
emocionados. Pela alvorada, já navegava os céus em Saudade pelos perigosos
caminhos de seu destino.
Alcançou ligeiro o início da mata e sobrevoou baixo por
sobre a floresta, desviando-se das árvores mais altas, para que nada lhe
escapasse a atenção. Foi então que ouviu um choro manso, de soluços quietos e
gemidos quase miados de uma voz doce como o néctar. Desceu mata abaixo depressa
a procura daquela voz minguante, pois lhe doía o coração ouvi-la chorar.
Era jovem, quase criança, e muito bela. Pediu-lhe afagos,
pediu-lhe conforto. Ele logo a tomou pelas mãos para que procurassem sua
família. Ela o parou no caminho suplicando que ele a levasse para a casa dele,
pois tomaria para sempre seus carinhos. Lírio-do-Vale negou. Ela precisava de
amparo, mas do amparo de suas próprias raízes. Saindo da mata encontraram sua
casa. Ela o agradeceu e ele partiu.
Seguindo o caminho pela mata em busca da Tulipa Amarela,
Lírio-do-Vale percebeu que havia se perdido. Encontrou um casebre na borda de
um riacho e por ali pousou. Estava nervoso por não saber por onde seguir. Bateu
palmas e gritou pelo nome de Tulipa Amarela. Uma senhora com o dobro da idade
dele, mas muito bela, saiu do casebre com panos brancos nas mãos. Todo aquele
lugar cheirava a um delicioso jasmim. “Você é Tulipa Amarela?”, perguntou Lírio-do-Vale,
com notável ansiedade.
A senhora disse que não, mas que podia ajudá-lo, pois ele
parecia faminto e cansado. Deu-lhe panos limpos para que se lavasse e deu-lhe
banho no riacho com as mais refrescantes essências. Depois lhe deu de comer e
de beber. Tudo era tão aconchegante e de tanto bom gosto e que Lírio-do-Vale
agradeceu com empolgação. A senhora então o convidou a morar com ela, pois
sempre lhe daria todo o conforto daquele dia. Lírio-do-Vale explicou que
precisava cumprir uma importante tarefa para uma dama de quem se tornara muito
amigo e não poderia aceitar o convite, o qual agradeceu com considerável
ênfase. A senhora sorriu e lhe deu as orientações de que ele precisava.
Lírio-do-Vale alcançou mais uma vez sua Saudade, acenou, e
então partiu. Finalmente alcançou o local onde, segundo as informações que
obtivera, deveria encontrar a Tulipa Amarela. Sob suntuosos carvalhos, pisando
leve folhas amareladas e saboreando com doçura o respirar, uma belíssima jovem,
de sua mesma idade, admirava as plantas da pequena descida. Lírio-do-Vale
perguntou, com calma e cuidado, se era ela a Tulipa Amarela. Disse a jovem que
era apenas uma amiga dela, que por ali passeava. Lírio-do-Vale apresentou-se e
ela sorria com graça, olhando profundamente em seus olhos. Tudo o que ela dizia
fazia-se nos movimentos de seu corpo mais belo. Ela não escondia sua admiração.
Cumprimentaram-se com carinho e seus olhos se permitiram a realização de mais
desejos que o cintilar de cem estrelas cadentes. Um gesto e ela seria sua
confidente e companheira, de carinhos mútuos e infinitos, para todo o sempre.
Os olhos dela suplicavam uma resposta como um perfume ser inalado.
Lírio-do-Vale recuou e, tomando coragem, recitou:
- Estou enamorado de uma bela dama que não pode ser minha e
jamais será. Ajudá-la-ei até o fim a reconquistar aquele quem ela ama. Mas,
apesar disso, não posso trair meu amor.
E assim fechou os olhos. Uma fina lágrima escorreu pelo seu
rosto.
- Apenas um além de você conseguiu chegar até mim, passando
por minhas três provações. Eu sou a Tulipa Amarela.
Quando Lírio-do-Vale, surpreso, reabriu os olhos, lá estava,
no lugar da bela jovem, uma dama diferente, de ares de mistério, de olhos como
que para dentro de si mesma. Era a feiticeira Tulipa Amarela!
Ela o chamou para um belo jardim circular onde incensos na
terra queimavam nos mais saborosos odores. Ofereceu-lhe de beber, mas
Lírio-do-Vale logo perguntou:
- Por que você enfeitiçou o bom Rei Nenúfar? Acaso estava
por ele apaixonada e, para vingar-se por ter ele escolhido outra consorte, lhe
lançou uma maldição?
Tulipa Amarela bebeu seu preparado com calma, e, suavemente,
respondeu-lhe:
- Enfeiticei Nenúfar porque ele me pediu.
A feiticeira contou então, a Lírio-do-Vale, como tudo havia
acontecido: Depois que Nenúfar casou-se com Orquídea, Tulipa Amarela ficou
muito triste e recolheu-se para o coração da mata para que vivesse de sua magia
e ninguém a encontrasse. A criança Tulipa Amarela tinha muitas primas mais
velhas que brincavam de tudo do que era mais aceito; para se destacar, buscou
prazeres mais difíceis, mais sofisticados, que só seu avô entendia. Quando seu
avô se foi, Tulipa Amarela acreditou-se sozinha para sempre. Por acaso o Rei
Nenúfar a conheceu e ficaram amigos; ele compartilhava alguns dos gostos da
Tulipa Amarela e ela acreditou que aquela seria sua única chance de dividir a
vida com alguém. Quando Nenúfar se casou com Orquídea, decidiu esconder-se para
sempre e jamais deixar de confirmar seu isolamento.
Apenas alguém com muita força de vontade para fazer seu
caminho pela densa mata e de um amor tão puro e verdadeiro capaz de superar
suas três provações conseguiria encontrá-la. O primeiro, e o único antes de
Lírio-do-Vale, a conseguir passar por todas as provas e alcançá-la foi o bom
Rei Nenúfar. Disse-lhe ele que já havia pensado em procurá-la antes, mas
desistira, e que, daquela vez, lhe parecia que sua feitiçaria seria a única
solução para o que passava. Disse que vinha por causa de sua amada, a Rainha
Orquídea. Disse o Rei que não havia sobre a terra ser mais amável, de jeitos
mais apaixonantes, de personalidade mais admirável do que a bela dama que tomara
como esposa. Cada vez que a via, a alegria o dominava, seu coração pulava e
brincava, o ar tornava-se refrescante, seus olhos brilhavam e seu espírito
sorria dentro de si. Se ela o tocava, então, sentia como se o paraíso houvesse
caído de repente e se mesclado com a terra num estrondo, como se as sensações
de um agasalho no frio, à brasa de uma lareira, do vento sussurrante no calor,
da chegada ao lar no cansaço, da reunião amistosa na solidão, se misturassem
por encanto, percorrendo corpo e alma, num sentimento sem igual, com a doçura
do amor. Amava-a e cada vez que a ouvia chamar seu nome se regozijava, se
sentia vivo, presente, feliz. Quando juntos, sob a lua e as estrelas,
beijavam-se, o chão sumia sob seus pés. Não sabia mais onde estava, se era
mesmo ele, Nenúfar, ou se eram mais uma das estrelas, de pulsar intenso, calor brilhante,
cercados pela paz do espaço, flutuando pelo céu. Quando, pela manhã, ela o
acordava, soava sempre como um coreto infante de bem-te-vis ajudando a raiar o
dia, emocionando-o com aquela voz que se ouvia diretamente no âmago de seu
peito, ali reverberando por toda a manhã, acompanhando o ritmo de seu coração.
Mas a ebriedade daquele amor não pode ser eterna. E mais
fácil via isso a pobre Orquídea que seu par, ainda entorpecido por aquela
incontrolada paixão. Por isso nem sempre o que o Rei sentia era compartilhado
por sua amável esposa Orquídea. Por vezes chamava seu nome, mas esse chamado
era um desvio do que a Rainha se concentrava e era recebido por ela assim, só
como um desvio mesmo. Por vezes, sob a lua e as estrelas, o sono a dominava
devido ao cansaço do dia e ela não podia ser estrela, só dormia. Por vezes, ao
acordá-la, sua voz era a de um galo inoportuno, que, perdido pelo castelo,
cantava atrapalhado, ininterrupto, na hora errada. Às vezes se viam, mas ela
não buscava vê-lo e seus olhos não lhe passavam alegria, mas desassossego.
E, nessas horas, o coração mole de Nenúfar espremia-se,
retorcia-se. Toda a dor saía como o sangue de seu peito umedecido, vazando
pelos olhos nos seus prantos que pareciam não ter fim. Vendo-o triste, Orquídea
pensava que ele não a compreendia e sentia-se separada por uma estranha
distância, uma estrada vazia, de seu tão amado marido. Essa estrada vazia, sem
marcas ou trilhas, assustava-os, e, assustados, afastavam-se mais. E quanto
mais afastados, mais o coração de Nenúfar comprimia-se, mais lhe doía, e mais
lágrimas dele fugiam.
Essa era sua dor, essa era a agonia que dominava sua alma,
uma ânsia insuportável que consumia seus sonhos e que o fez, num ato
desesperado, procurar ajuda da antiga conhecida feiticeira. Tulipa Amarela
pensou por um tempo e logo ofereceu a solução: possuía uma poção que, se bebida
por qualquer pessoa, a tornaria tão dócil, manhosa e dependente, que bastaria
um gole para que Orquídea jamais deixasse de sorrir ao vê-lo, sentisse sempre lhe
dominar o desejo por seus carinhos, recebesse sempre com um gosto emocionado
cada um de seus abraços. Acordaria mais feliz sempre que ele a acordasse e só
poderia dormir bem sonhando com seus beijos de boa noite. Sentiria sempre sua
falta e bastaria que ele chamasse seu nome para que a alegria a inundasse por
inteiro e ela pararia qualquer coisa que porventura estivesse fazendo para
derreter-se uma vez mais em seus braços.
Nenúfar ouviu com atenção, mas com semblante soturno, rosto
virado para o chão. Aquelas cenas brincavam soltas na sua imaginação, ao mesmo
tempo em que esmaeciam até se desfazerem. Naquele momento o Rei derramou sua
última lágrima.
- Eu amo Orquídea. Sou apaixonado por cada movimento seu,
cada jeito. Quero viver ao lado dela até o fim de meus dias. Ao lado dela, e
não dessa dama que me ofereces, não obstante suas qualidades. Tulipa Amarela,
só há uma maneira que vejo para viver para sempre com meu amor, única fonte de
meu viver. Quero um feitiço que endureça meu coração.
Tulipa Amarela sofria tanto quanto ele. Ainda o amava e
sabia que seu amor por ele jamais cessaria. Por isso, também, jamais o
contrariaria.
Inconscientemente fantasiasse que poderia causar no Rei um
isolamento da espécie que a acometia, o que os poderia unir num futuro distante
de seus sonhos velados. Mas também ela amava Nenúfar como ele era e por isso
lhe doeu preparar cada condimento para o elixir com o qual lhe presenteou.
Afligiu-lhe a alma como uma lâmina perfurando seu dorso quando o Rei, aos
goles, o bebeu por inteiro. Nenúfar agradeceu secamente e partiu, deixando para
trás a feiticeira padecente em penitência, que em nenhuma noite mais deixou de
chorar pelo espírito de seu para sempre amado, que talvez nunca mais pudesse
amar.
Lírio-do-Vale escutou espantado toda a história. Tomou-se de
compaixão ao perceber que a maldição que tornara gelado o coração do Rei se
realizara por amor.
Ficaram em silêncio por bastante tempo.
Lírio-do-Vale explicou, então, que vinha representando o
amor da Rainha Orquídea, e da mesma forma que pelo amor de Nenúfar ela
preparara-lhe o elixir que endurecera seu coração, o amor de Orquídea suplicava
para tê-lo de volta como era antes.
Tulipa Amarela sorriu. Revelou que há anos desenvolvia uma
essência capaz de reverter o feitiço que emparedava o coração de Nenúfar. Agora
que finalmente chegara a seus domínios alguém com tanta força de vontade e
tanto amor capaz de ultrapassar suas provas, ela podia oferecer sua redenção.
Deu a Lírio-do-Vale as essências, explicando que bastaria que Orquídea o
banhasse as usando para que o encanto dissipasse a maldição. Inebriar-se-ia de
sono, dançaria novamente com seus sonhos e, ao acordar pela manhã, seria novamente
o velho Rei.
Lírio-do-Vale agradeceu, ainda muito admirado, e deixou a
solitária Tulipa Amarela, com seu sorriso singelo e sabedoria tão recoberta,
seguindo com as essências pela última vez ao Castelo de Turfa.
A Rainha o recebeu com enorme expectativa e só faltou chorar
seu próprio sangue de tão emocionada ao ouvir toda a história. Abraçou seu
amigo com um afeto insubstituível e choraram juntos de emoção pela chegada
bem-sucedida ao fim da tortuosa busca.
Lírio-do-Vale saiu sorridente, não podendo deixar de admirar
os olhos brilhantes da Rainha. De tão cansado, mais pelas interações não
perseguidas que pelos caminhos percorridos, dormiu por tempo demais. Já era
tarde quando saiu do quarto que lá lhe emprestaram e retornou apressado para os
salões principais.
Por mais confiança que tivesse em seu triunfo, jamais
poderia imaginar o que encontrou. No castelo, o casal real dava uma festa que
toda a cidade acompanhava. O Rei Nenúfar, sorrindo como uma criança, beijava as
mãos da Rainha com enorme sentimento, que transparecia em seus olhares e
transbordava em alegria para todos os presentes. Todos dançavam, brincavam,
corriam e bebiam. A Rainha Orquídea observou Lírio-do-Vale chegando, ao longe,
e o convidou imediatamente para junto dela, com seus olhos brilhando como
diamantes. Apresentou-o a Nenúfar, que, com alegria, o abraçou, congratulou e
ofereceu não somente a mais que devida participação naquela festa, como também
o agradecimento de todos ali presentes na forma de um grande “hurra!”.
Lírio-do-Vale, encabulado, vermelho como um cravo ruborizado por sua beleza,
agradeceu os agradecimentos com timidez.
Nunca Lírio-do-Vale obtivera tanto reconhecimento por um
êxito seu, mas a única felicidade que dele emanava provinha do gosto que
proporcionara à Rainha Orquídea, que amava apesar de saber que não teria tal
amor, da forma com que sentia, retribuído.
Ao final o Rei Nenúfar, ainda muito emocionado, ofereceu-lhe
o posto de chefe dos besoureiros reais. Lírio-do-Vale se sentiu honrado, mas
recusou, alegando que devia partir por motivos de seu coração. O Rei Nenúfar
sorriu e pensou que era uma dama de sorte essa que fazia tão valoroso
aventureiro recusar o prestigioso posto.
Seu grande feito, segundo seus pensamentos ocultos, deveriam
lhe causar amor. Mas como não sentia que o recebia, automaticamente pensava que
não fora bom o suficiente. Portanto, não se acreditava merecedor daquelas
honras. Orquídea o agradecia, mas sabia que ela não o amava.
Lírio-do-Vale abraçou finalmente o Rei, e ambos desejaram-se
sorte, saúde e sucesso. Abraçou pela última vez, com as lágrimas escondidas sob
suas pálpebras, a Rainha Orquídea, que mais uma vez lhe agradeceu intensamente
e lhe desejou a melhor das sortes.
Despediu-se com afeto e viajou novamente em Saudade em busca
de outro grande feito, para quem sabe um dia encontrar o mesmo o amor que fora
capaz de resgatar, mas que jamais conhecera.
FIM
segunda-feira, 23 de março de 2015
ELE MORREU POR AMOR
Ninguém jamais soube, mas ele morreu por amor. Foi uma
história fascinante, a desse rapaz. Como posso começar?
Em primeiro lugar é bom que eu me apresente, o que no
momento me parece a parte mais difícil dessa história. Eu sou o que se poderia
chamar de expressão racional do complexo nervoso dele. Sou suas conexões
nervosas, seu sistema límbico, suas programações genéticas sobre como reagir e
criar modelos de pensamento a partir de cada manifestação de seu ambiente. Sou
a expressão do que havia de inexpressável nele; a razão manifestada a partir do
que nele havia de irracional; o pensamento advindo de interações nervosas que
jamais puderam progredir à consciência. Se quiser, por conveniência, pode me
chamar de “alma” dele. Só que eu não vivo fora do corpo dele. Ele morreu e eu
morri junto.
Apenas no dia de sua morte fui capaz de gerar essa expressão
em palavras, contar essa história. Por que? Por compaixão. Deve ter sido por
uma falha na replicação do DNA, dessas que dão de tempos em tempos e fazem as
espécies alterarem, essa história de um complexo nervoso com compaixão.
Geralmente nós, as “almas”, queremos que os desejos dos indivíduos que
habitamos vão para o diabo – estamos apenas reagindo aos estímulos do meio
ambiente e reprogramando sistemas mentais de acordo com as instruções genéticas
que nos foram impostas. Mas eu me compadeci dele, pois ele sempre desejou que
as pessoas soubessem que ele morreu por amor. Um desses desejos sem sentido que
eu tive de dar a ele devido a alguns instintos sexuais e sociais.
Desde criança fiz com que ele sempre fosse muito vulnerável
aos estímulos emocionais. Ouvia seu avô, por exemplo, com um senso raro de
admiração, afeto e respeito. Seu avô lhe disse uma única vez para molhar os
pulsos antes de pular na água fria e usei toda a admiração dele para programá-lo
a, pelo resto de sua vida, executar ritual quase solene de mergulhar os pulsos
na água, aguardar minutos e só então avançar no mar. Contou-lhe um dia uma
história de atropelamento e eu o conduzi a sempre olhar para os dois lados
antes de atravessar a rua.
Ele brincava com seus vizinhos do prédio de todo tipo de
esporte. Desde sempre dizia que sua brincadeira favorita era o futebol. Não
era. Ele não sabia, mas sua brincadeira favorita quando era mais criança era o
cabo de guerra. Ignorou esse sublime sabor por cessão aos desejos de seus
amigos. E, depois de adolescente, enquanto continuava dizendo que seu jogo
favorito era o futebol (uma vez disse que era apostar corrida, devido ao calor
de uma vitória, mas logo esqueceu), sua brincadeira favorita era mesmo o jogo
de adedanha. Para quem não sabe, adedanha é aquele jogo em que se sorteia uma
letra e cada jogador tem que falar uma palavra começando por aquela letra,
geralmente de acordo com diferentes categorias (animal, cidade, objeto). Nessa
época, ele jogava muito com seus pais e
com sua irmã.
Um dia um amigo mais velho da família também jogou. Dei a ele
uma vontade enorme de se mostrar inteligente perante o estrangeiro, tão grande
que ele se afobou e errou uma palavra simples. País com A: América. Todos riram
dele. Ele queria fugir, queria sumir
dali. Não soubera onde estava com a cabeça. Eu sabia. Ele estava com a cabeça
concentrada em ser melhor contra o intruso que invadira o jogo favorito dele
com sua família. Desde esse dia passou a dizer que não gostava de nenhum jogo
“parado”. Reforçou a tese da preferência pelo futebol. Era mentira. Ele sempre
guardou consigo as delícias daquele jogo. E toda vez que negava brincar com
algum grupo, para manter a imagem que então criara de si, remoía-se por dentro.
Sim, eu programei sua mente para impedi-lo de querer jogar
de novo, de modo a fugir da decepção. Fazer o que? Naquela época eu não tinha
nenhuma compaixão. Não tinha nenhum remorso, por exemplo, de programá-lo a
apertar sempre três vezes o botão do andar desejado no elevador, e de lhe
causar angústia inescapável quando alguém apertava mais ou menos vezes o botão.
Era assim que tinha que ser, para estimulá-lo a buscar padrões – uma
característica fundamental num mundo em que quem melhor organiza as informações
recebidas tem melhor chance de obter recursos para sobreviver.
Mas enfim, naqueles tempos passados, quando ainda jogava
adedanha com sua família, seu momento de maior felicidade era quando tinha que
preencher flor com a letra R. Ele colocava “rosa” e passava rapidamente para a
próxima coluna. Não havia necessidade de ficar ponderando sobre outra flor,
raciocinava. Só eu sabia a verdade. Que quando ele preenchia “rosa”, sua hipófise
lhe lançava endorfinas através do sistema sanguíneo e ele suspirava. Que seu
pensamento profundo, oculto, era rosas brancas. Não a palavra em si, mas todo o
efeito que a imagem, o odor ou a menção ao nome gerava nas intrincadas conexões
com as quais eu costumava trabalhar em sua mente.
Este o fato que eu sempre escondi dele: a partir do início
de sua adolescência, a maior parte de sua excitação sexual, passional ou
amorosa em qualquer sentido, em todas as áreas de sua vida, esteve vinculada a
rosas brancas.
Permita-me explicar. Quando ele iniciou as experimentações da puberdade
(especialmente as excitações mentais, estas que costumam passar esquecidas
pelos fisiologistas), ele viu uma figura
numa revista com uma mulher deitada num campo verde e rodeada de rosas brancas.
Eu o remeti a algumas fotos antigas de seus pais, tiradas durante a Eco-92 e
fiz com que ele associasse a felicidade amorosa expressada por seus pais
naquele momento com ideais bucólicos de flores combinadas com liberdade. As
flores, nos cabelos de sua mãe naquelas fotos, naquelas fotos que o olhar de sua
mãe demonstrava involuntariamente estáveis e alegres relações sexuais, também
eram rosas. Rosas brancas.
A partir daí eu não lhe dei trégua. Fiz com que ele gostasse
apenas do início de Alice no País das Maravilhas, quando ainda havia menções a
campos floridos e à liberdade contra as regras da lógica – aticei-lhe
repugnância no capítulo em que pintam as rosas brancas de vermelho. Causei-lhe
sono devastador para que escapasse imediatamente da leitura e ele passou a
dizer a todos que aquele era um livro chato, que odiava fantasia e gostava
mesmo dos livros biográficos.
Falava a seus amigos de adolescência que seu filme favorito
era Coração Valente. Boa saída. Aproveitou o tema da liberdade e dos campos
verdes, temas que eu também usava para excitá-lo. Mas não era a verdade
absoluta.
Seu filme favorito – que lhe arrepiava e aprazia como nenhum
outro – era um outro clássico também lançado durante sua tenra infância:
Titanic. Porque a protagonista se chamava Rose. E porque ela era branca. Sim,
se ela tivesse outro nome ou se fosse negra (ainda que as condições históricas
permitissem), ele não teria sentido absolutamente nada com aquele filme. Eu não
tinha muitos escrúpulos naquela época – como não existem leis contra sistemas
nervosos preconceituosos, eu tornava ele extremamente discriminatório, ainda que ao
mesmo tempo, para protegê-lo da condenação por sua comunidade, eu fizesse com
que ele teimasse em não reconhecer seu racismo.
Aproveitei para que o filme lhe trouxesse um novo desejo
inconsciente: que caso ele morresse (pois eu costumava fazer ele acreditar que
jamais morreria), ele morreria por amor.
Pois faz alguns dias ele estava caminhando na Cidade Nova,
em direção ao metrô. Tinha acabado de fazer a inscrição na faculdade para
biologia (eu me orgulhei de o ter conduzido gradativamente a esse curso para
mais tarde direcioná-lo à botânica) e, confiante a respeito do novo futuro a
sua frente, retornava para casa. Foi então que ele a viu. Ela, uma jovem
estudante de cabelos louros acastanhados, de pele dourada pelo verão carioca,
que seguia no mesmo sentido. Usava um vestido azul.
Decorado de rosas brancas.
Ele acompanhou por todo o caminho até o metrô o baloiçar de
seu vestido, acreditando que se encantara exclusivamente pela moça. Pobre
rapaz, chegou a raciocinar que o vestido era apenas o invólucro da beleza que
ele detectara exclusivamente nela.
Ao chegarem, a estação estava lotada. Centenas de pessoas
caminhavam para fora, manifestamente frustradas. Confusão. Por que? “Para eu
esperar o dinheiro do bilhete vou ficar aqui até amanhã”. Problemas de “tráfego
irregular devido a uma avaria em uma das composições”. Milhares de pessoas se
acumulavam entre as bilheterias e as roletas. “O jeito é pegar um ônibus”.
“Onde eu pego ônibus aqui para a Pavuna? Vou ter que voltar até a Central?”
Ele ficou desorientado. A culpa não é toda minha, não tive
muitos estímulos de multidão para trabalhar com ele. A moça do vestido de rosas
brancas se aproximou. Ela também estava desorientada. Ele olhou para ela e os olhos dela encontraram os
dele. Então ele convenceu-se de que havia algo de engraçado naquela confusão
para que se sentisse suficientemente seguro para sorrir. Ela retribuiu o
sorriso. Caminhou até ele e perguntou se ele sabia a melhor forma de chegar no
Flamengo. Ele explicou detalhadamente
quais os ônibus na Presidente Vargas lhe serviriam. Ela se despediu, ainda
sorrindo. Ele estancou. Queria segui-la, mas não teve certeza se era seguro.
Bem, com o intuito de protegê-lo da dor, eu fiz com que ele tivesse algum
receio de rejeição. No meio do caminho, antes de sair definitivamente da
estação, ela voltou-se para ele novamente e acenou, se despedindo.
O coração dele disparou. Não teve mais dúvidas, estava
apaixonado. Aquela era a mulher da vida dele e para ele não importava que seu
vestido tinha rosas brancas, que a saída da estação ativara nele certa sensação
de liberdade, que ali próximo havia um gramado que podia ver à distância –
nenhum dos truques que eu trabalhei meticulosamente para causar-lhe as
sensações do amor lhe importavam. Ele a amava.
Saiu agitado da estação. Procurou-lhe por entre a multidão
de frustrados e desorientados que circulavam olhando de um lado para o outro
sem escolher direção. Viu-a do outro lado da rua, já em cima do gramado que
outrora estava à distância, livre da multidão, com seu vestido de rosas
brancas.
Pela primeira vez na vida, atravessou a rua sem olhar para
os dois lados. Foi atingido em cheio por uma motocicleta que corria na
contramão, por motivos que me são ininteligíveis.
Ninguém jamais soube, mas ele morreu por amor.
FIM
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